Exposição: Concurso de Astrofotografia do ano

 

Dentre os mais diversos “concursos de fotografia do ano”, um dos meus preferidos é o de astronomia, ZWO Astronomy Photographer of the Year, promovido pelo Museu Marítimo Nacional, em Londres (Inglaterra), e patrocinado por uma fabricante de produtos dedicados à astrofotografia. Não conheço a marca em questão, mas ano após ano sempre tenho muitas expectativas com o concurso que leva seu nome.

 

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Tanta expectativa assim é, obviamente, por conta do tema e das categorias. Sou apaixonado por astrofotografia e já há várias edições espero ansiosamente pelo resultado dessa competição. O que para mim torna as fotografias astronômicas excepcionais é que elas necessariamente revelam aquilo que nossos olhos não veem, como o movimento planetário e a interação da luz com a atmosfera, ou veem de muito longe sem detalhes, como nebulosas, galáxias e manchas solares. Mas só ver aquilo que vai além da capacidade evolutiva humana não basta, pois no caso desse concurso, as fotografias revelam diferentes aspectos do Sistema Terrestre ou do Universo com um apelo artístico que escapa aos livros-texto e artigos científicos tradicionais.

Outro motivo que me faz gostar tanto desse concurso é a atualidade das fotografias premiadas. As inscrições exigem trabalhos realizados a partir do primeiro de janeiro do ano anterior, portanto as edições sempre contam com material muito fresco e inédito, na fronteira da fotografia, astronômica e de paisagens em geral.

 

Agora, tenho mais uma razão para gostar do concurso. A exposição com as fotos premiadas e finalistas é muito bem elaborada, mostrando que o museu se importa com o concurso em seu acervo. Conseguir uma boa expografia com cerca de 100 fotografias de temas e cores dissonantes não é uma tarefa fácil, mas, pelo menos nessa edição que visitei, tudo estava se encaixando muito bem. Parece óbvio, mas há sim exposições de concursos que parecem que só foram montadas pela obrigação, o que não me pareceu ser o caso dessa. 

 

Apesar de ocupar um espaço pequeno no museu, a exposição está dividida entre salas com as diferentes categorias do concurso, mostrando as respectivas fotografias vencedoras e finalistas. Além disso, há um telão onde mini documentários muito bem elaborados sobre as fotografias premiadas e as motivações artísticas por trás delas são exibidos. O trabalho de produzir esses documentários com artistas de várias partes do mundo é, para mim, mais uma mostra da relevância que o concurso tem para a programação do museu. 

 

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E quem ganha com essa organização toda são as (infelizmente muito poucas) pessoas que podem ter a oportunidade de ver a exposição. É realmente uma pena que ela aconteça somente nesse museu e não circule o mundo, assim como outras exposições de concursos de “fotografia do ano” (inclusive algumas que parecem ser montadas só pela obrigação de circular). 

 

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Por fim, tenho mais um motivo bastante anedótico para ter gostado tanto dessa exposição. Quase fiz parte da grande maioria das pessoas do mundo que nunca a veriam, mas o acaso me levou até ela. Tive uma parada de um final de semana em Londres após retornar da China, onde participei de um congresso sobre biologia tropical e conservação. 

 

Hospedado longe das zonas centrais pelos preços proibitivos da capital britânica, em um domingo ensolarado de uma uma das quatro ondas de calor que passaram por Londres entre junho e julho de 2026, saí a pé em busca de uma lavanderia. A primeira que encontrei só aceitava dinheiro vivo e fui para a próxima, que estava fechada. A terceira opção encontrada no mapa já não existia mais e ficava no bairro de Greenwich, bem longe de onde estava hospedado. Mas já que estava ali, próximo ao famoso meridiano, resolvi andar mais um pouco para conhecer a região. Até que cheguei, sem querer, ao museu. 

 

Eu nem sabia que a exposição estava acontecendo e ela não estaria ali por mais tanto tempo. Então, suado, cansado da viagem e da longa caminhada no calor, não pensei duas vezes e, com minha sacolinha de roupas sujas na mão, tive um agradável e inesperado plano para um domingo que parecia à toa. Para acabar a história com um final feliz, na volta para a hospedagem encontrei uma lavanderia aberta que não estava listada no aplicativo de mapas. 

 

Não espero que o raio caia duas vezes no mesmo lugar e que possa ver a exposição das próximas edições em Londres novamente. Por isso, fico com o desejo e a sugestão de que o Museu Marítimo a promova em parceria com outras instituições fora da Inglaterra para que mais gente possa ter acesso às fotografias premiadas e finalistas. Uma exposição anual com essa envergadura incentiva mais pessoas a conhecer, admirar e estudar o céu noturno. E isso é fundamental para fortalecer as lutas por um céu noturno livre de poluição luminosa, que impacta o Sistema Terrestre como um todo, a começar pela sua biosfera.