Foto do mês (edição janeiro de 2026): O início de uma longa jornada
A história de conservação das tartarugas marinhas é um dos casos mais exemplares de como a pesquisa e a ação podem trazer esperança para o futuro das espécies ameaçadas. Há quarenta anos, o Estado brasileiro decidiu unir esforços com a sociedade civil em prol das “embaixadoras do oceano”. No princípio não foi nada fácil. Apenas após uma geração de tartarugas (pouco mais de uma década) é que o resultado apareceu e os números começaram a melhorar, mesmo que ainda preocupantes, mostrando como os projetos de conservação devem ser contínuos e de longo prazo.
Hoje, apesar da gradual recuperação das populações, as tartarugas marinhas ainda estão ameaçadas de extinção. No mar, pela pesca “acidental”, pelas redes fantasma e pela poluição, sobretudo de plástico. Em terra, o problema é a perda acelerada de áreas de desova. Sem ter praias propícias para a desova, as próximas gerações de tartarugas marinhas ainda estão seriamente ameaçadas.
Para que as desovas e os ninhos tenham sucesso, as praias devem ser escuras e pouco perturbadas pela urbanização e turismo. Além disso, a erosão das praias pelo aumento do nível do mar e pelos eventos climáticos extremos também inviabilizam os nascimentos de novas gerações de tartarugas. Então, se a luta das últimas quatro décadas foi para aumentar as populações de tartarugas marinhas, a luta das próximas quatro décadas será para manter seu habitat minimamente propício à vida marinha.
Esta edição da foto do mês é uma homenagem à quem luta pela vida marinha, em especial pelas tartarugas, e também um contraponto às últimas fotos em preto e branco, mas especialmente à última, quando falei sobre o difícil cenário para a conservação do Cerrado. Esse filhote de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) chega ao mar em uma manhã do final de dezembro, trazendo consigo a esperança de uma longa jornada em um Oceano cheio de vida.
